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Eu não vou com a sua cara !

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Estudos, teses e pesquisas ligadas ao comportamento humano, comprovaram que, o que vemos (gostando ou não) nos outros, é reflexo de nossa própria personalidade. Por essa razão, existe uma máxima que diz o seguinte: quer conhecer uma pessoa? Peça a ela para falar sobre alguém.

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antipatia

Você já ouviu (ou proferiu) frases do tipo: eu não fui com a cara desse sujeito; nossos santos não bateram; eu achei muito antipática; não me passou uma boa impressão; esse aí é pilantra, e tantas outras do gênero?

Tratam-se de frases construídas a partir de uma primeira (supostamente má) impressão que alguém teve de outrem, de observações baseadas em uma convivência à distância ou por comentários de terceiros, sem elementos robustos para formular uma opinião mais concreta e confiável.

Ao longo dos anos, em praticamente todos os lugares em que atuei como profissional da indústria ou da comunicação, ouvi diversas vezes declarações do tipo: confesso que eu não ia muito com a tua cara. Eu tinha medo (ou raiva, ou desconfiança) de ti. Agora, te conhecendo melhor, vi que eu estava enganado (a), sempre seguidas de um sorriso amarelo, como se pedissem desculpas (quando não pediam, de fato).

Foram tantas vezes que ouvi este tipo de comentário, que passei até a me divertir com eles. E também, a estudá-los, considerando a fonte de onde partiam (pessoas que passei a conhecer melhor, posteriormente).

Estudos, teses e pesquisas ligadas ao comportamento humano, comprovaram que, o que vemos (gostando ou não) nos outros, é reflexo de nossa própria personalidade. Por essa razão, existe uma máxima que diz: quer conhecer uma pessoa? Peça a ela para falar sobre alguém.

Basicamente, ao falarmos sobre outra pessoa – especialmente quando os “defeitos” são ressaltados – estamos, na verdade, falando sobre nós mesmos.

Trata-se da projeção psicológica, que atua na mente como uma espécie de mecanismo de defesa, para atribuir a outros, comportamentos, atributos, pensamentos e emoções que não gostamos de ter ou de expressar (consciente ou inconscientemente) em nós mesmos.

Para simplificar: quando não vamos com a cara de alguém, sem um motivo aparente e/ou coerente, estamos projetando nela, o que não gostamos em nós mesmos.

É mais fácil assim, não é? Você não vai se olhar no espelho e torcer a boca em repúdio, porque não aprova sua maneira de ser. É melhor transferir a ojeriza para outra pessoa. Até reduz a ansiedade, já que proporciona uma espécie de alívio ilusório do ainda bem que não sou assim.

Tem gente que até se orgulha: ah, quando o meu santo não bate com o de alguém, é batata.

Existe uma grande armadilha embutida nesta “habilidade”. Geralmente, quando se tem uma certeza absoluta, especialmente sem dados relevantes, a mente se fecha para que a afirmação não seja desmentida jamais, e busca-se elementos – até os mais estapafúrdios – para confirmar as suspeitas.

Ei Ivo, você viu o Bonifácio conversando com o Diretor na hora do almoço? Esse tipo não me engana. Percebi que era um puxa saco logo de cara. Gente assim, eu quero distância.

Naturalmente, algumas de nossas suspeitas podem se confirmar no futuro. Nem todas caem por terra e nos deixam envergonhados, com o rabo entre as pernas.

Entretanto, quantas vezes conhecemos pessoas, pelas quais sentimos afinidade instantânea, que de tão forte, até achamos que acertamos na mega sena da amizade (ou até da paixão, se for o caso) e, mais adiante, aquele anjo gentil e generoso, que perdeu o trem celestial e veio parar na sua vida, se mostra um diabrete mesquinho, egoísta e mentiroso. Tenho certeza que você – ou alguém que você conheça – já passou por essa desagradável experiência.

O importante neste texto é que fique claro o seguinte ponto: Independente da situação – se foi ou não com a cara, se o santo bateu ou não, se simpatizou ou não – não é conveniente formarmos opiniões baseadas em impressões vagas, “achismos” ou fatos isolados.

Todos nós temos experiências de vida, confirmando que dados superficiais e imprecisos, não podem ser fatores predominantes para gostar ou desgostar de quem quer que seja (inclua também os verbos acusar, desmerecer, enaltecer, execrar, adorar, desconfiar, confiar, etc.).

Se até os criminosos mais brutais têm direito à defesa, é correto afirmar que agimos de forma arbitrária quando acusamos, julgamos e condenamos sem piedade.

Imagine quantas pessoas interessantes excluímos de nosso convívio, só por uma impressão ou até por um comentário maldoso oriundo de sabe-se Deus de onde? E para quanta gente nós abrimos a porta de nossas vidas, e sofremos uma baita decepção?

O segredo para não cair neste erro é, dentro das possibilidades, procurar conhecer melhor, independente da impressão inicial ou das observações a distância. Isso quer dizer, obter mais informações, se aproximar (quando possível), conhecer os valores, as opiniões, etc., sem invadir a privacidade do outro, é claro.

Tudo bem, entendo que nem sempre é possível conhecer as pessoas suficientemente, para ter certeza se são ou não dignas de nosso convívio. A sua vizinha simpática, que sempre lhe dá bom dia com sorriso aberto, e lhe oferece deliciosos biscoitinhos caseiros todos os Domingos, pode ser uma psicopata, que se alimenta de sangue de criancinhas, raptadas nas comunidades carentes de sua cidade. Nunca se sabe.

Entretanto, com um pouquinho esforço, boa vontade e coração aberto, é possível evitar uma série de enganos e injustiças.

“Em muitos julgamentos mesquinhos, julgamos a nós mesmos na figura do outro”.  Autor Desconhecido

 

Marco Antonnio Ribeiro

Palestrante, Coach, Escritor, Blogger 

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