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Porque ficamos lesados no dia seguinte da bebedeira?

Porque ficamos lesados no dia seguinte da bebedeira?

Acordar com uma ressaca pode fazer você se sentir um pouco burro e lesado e não apenas por se arrepender daquela ligação para o ex na noite anterior.

Além dos efeitos colaterais da ressaca que já conhecemos bem, depois de uma bebedeira exagerada, nossa mente também é afetada a ponto de não conseguirmos pensar com clareza.

De acordo com artigo publicado pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA, na sigla em inglês), o álcool afeta partes importantes do nosso cérebro, como o cerebelo (que controla nossa coordenação motora), o sistema límbico (que lida com as emoções e a memória) e o córtex cerebral (responsável pela nossa capacidade de pensar, resolver problemas, lembrar e aprender).

O problema é que os efeitos do álcool nessas áreas não desaparecem depois do último gole – eles permanecem no dia seguinte durante a ressaca.

Um estudo de 2009 publicado no “International Journal of Neuroscience” descobriu que a ressaca tem efeitos negativos sobre as nossas funções cognitivas, incluindo processos intelectuais e de memória. Outra pesquisa de 2003 no “Neuropsychopharmacology” revelou que as pessoas ficam menos alertas quando exageram na bebida na noite anterior.

A ressaca também afeta nossas emoções, fazendo com que a gente se sinta mal pela noite anterior. Em entrevista ao site “Refinery 29”, Aaron White, consultor científico do NIAAA, afirma que a ressaca nos chateia por fazer com que agente se sinta doente. “E quando você não se sente bem, é difícil prestar atenção e ficar motivado.”

Prestar atenção nas coisas é crucial para várias funções cognitivas e, quando não conseguimos focar em nada, podemos ter problemas com tarefas mais complexas. “A ressaca é o resultado de ter exposto o corpo a toxinas”, explica White. E esse “tapa na cara” fisiológico é o que faz com que a gente se sinta mal por ter bebido demais.

A boa notícia no meio disso tudo é que aquela história de que o álcool pode “matar células cerebrais” é uma balela. Mas o que beber realmente faz é provocar uma inflamação no cérebro. “Para que os neurônios funcionem, os circuitos do cérebro precisam ter um equilíbrio de fluídos e produtos químicos em torno dos neurônios”, diz White. E, como o álcool “quebra” esse equilíbrio, é normal que o cérebro não funcione direito no dia seguinte da bebedeira, o que faz com que a gente se sinta lerdo.

A dica de White para superar a ressaca é fazer o que te faz bem. Para a grande maioria, hidratar-se já ajuda a se sentir melhor. “Algumas pessoas ficam bem depois de ingerir alguma bebida com cafeína, outros gostam de se exercitar,enquanto outros precisam esperar a ressaca passar”, fala.

Assista ao vídeo abaixo e veja o que é lenda e o que funciona contra a ressaca:

Vida Saudável, do UOL

Porque ficamos lesados no dia seguinte da bebedeira?

Álcool é mais prejudicial até os 24 anos

Estudo diz que antes dessa idade o cérebro ainda está em formação e seria mais vulnerável às drogas.

Uma série de estudos médicos que acaba de ser publicada pela revista científica The Lancet é categórica ao afirmar que a adolescência dura até os 24 anos de idade. É apenas nessa idade que o desenvolvimento do cérebro é completado. Isso significa, dizem os autores, que em pessoas mais jovens o cérebro também é mais sensível aos efeitos do álcool, do tabaco, e de outras drogas.

Segundo o estudo, menores de 24 anos “não apenas viciam com mais facilidade como também sofrem uma perda maior de neurônios” por causa das drogas. Os pesquisadores ressaltam que, por outro lado, é justamente entre 18 e 24 anos que os jovens mais consomem álcool. Nessa faixa etária, no Brasil, cerca de 78% das pessoas já usaram álcool e 19% delas são dependentes, segundo dados do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid).

“A geração atual de jovens vai escolher caminhos diferentes em relação às gerações passadas e vai ter de encarar novos desafios para sua saúde”, diz um dos autores do trabalho do The Lancet, o pesquisador George Patton, da Universidade de Melbourne, na Austrália. Ele afirma que os governos precisam de programas voltados para a saúde dos adolescentes para minimizar os riscos ligados à bebida.

Especialistas brasileiros concordam que a formação cerebral se estende para depois dos 18 anos. “Essa fase, a partir dos 10 ou 12 anos, até os 20 e poucos anos, é de formação. O jovem está deixando de ser criança e, antes de entrar na fase adulta, vai querer experimentar de tudo. A droga vai junto nesse contexto”, diz a pesquisadora Maria Lucia Formigoni, chefe do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo e Consultora da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

Em muitos países, inclusive no Brasil, a adolescência compreende a época do início da puberdade e os 18 anos. É nessa idade que muitos jovens escolhem uma profissão, por exemplo. É também quando se recebe uma permissão para uma série de atividades, como dirigir e consumir bebidas alcoólicas.

Maria Lucia afirma que, como o cérebro está em fase de maturação na adolescência, o álcool e as drogas tendem a provocar uma sensação de prazer mais expressiva. Nos casos em que o jovem não tem outras fontes de prazer na vida (como atividades culturais, prática de esportes, convivência saudável com família e amigos) esse efeito é ainda mais determinante para o risco de dependência.

“Nessa fase, o jovem não tem capacidade desenvolvida de avaliação de risco. A parte do controle racional não está plenamente desenvolvida”, esclarece Maria Lucia. A especialista lembra ainda que as estratégias de prevenção devem ser específicas para o jovem. Não adianta, por exemplo, alertá-lo que, se beber em excesso, terá mais risco de desenvolver câncer aos 50 anos.

“Não faz sentido falar de consequências à longo prazo para o jovem. Ele é mais imediatista, está interessado no aqui e agora. É preciso saber o que ele valoriza e o que não valoriza e fazer a prevenção em cima de seus valores”, diz.

Reações Intempestivas

Os riscos relacionados ao álcool nos mais jovens foram apenas um dos elementos avaliados pelos pesquisadores no estudo do The Lancet. Eles também destacam que, antes dos 24 anos, os indivíduos tendem a ter reações mais intempestivas, de modo que “as vitórias e os fracassos afetam a pessoa de maneira mais intensa”.

Os especialistas afirmam que as reações intempestivas nos jovens fazem com que não consigam avaliar as situações “de maneira clara”. Isso ocorre, afirma o artigo, por causa de uma maior atividade na área do cérebro que controla o prazer sentido quando o corpo recebe “recompensas” – entre elas estão a comida, o sexo e inclusive as drogas.

Fonte: Jornal da Tarde – Cebrid.

 

por, LUIZ ANTÔNIO

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