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Álcool é mais prejudicial até os 24 anos

Álcool é mais prejudicial até os 24 anos

Estudo diz que antes dessa idade o cérebro ainda está em formação e seria mais vulnerável às drogas.

Uma série de estudos médicos que acaba de ser publicada pela revista científica The Lancet é categórica ao afirmar que a adolescência dura até os 24 anos de idade. É apenas nessa idade que o desenvolvimento do cérebro é completado. Isso significa, dizem os autores, que em pessoas mais jovens o cérebro também é mais sensível aos efeitos do álcool, do tabaco, e de outras drogas.

Segundo o estudo, menores de 24 anos “não apenas viciam com mais facilidade como também sofrem uma perda maior de neurônios” por causa das drogas. Os pesquisadores ressaltam que, por outro lado, é justamente entre 18 e 24 anos que os jovens mais consomem álcool. Nessa faixa etária, no Brasil, cerca de 78% das pessoas já usaram álcool e 19% delas são dependentes, segundo dados do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid).

“A geração atual de jovens vai escolher caminhos diferentes em relação às gerações passadas e vai ter de encarar novos desafios para sua saúde”, diz um dos autores do trabalho do The Lancet, o pesquisador George Patton, da Universidade de Melbourne, na Austrália. Ele afirma que os governos precisam de programas voltados para a saúde dos adolescentes para minimizar os riscos ligados à bebida.

Especialistas brasileiros concordam que a formação cerebral se estende para depois dos 18 anos. “Essa fase, a partir dos 10 ou 12 anos, até os 20 e poucos anos, é de formação. O jovem está deixando de ser criança e, antes de entrar na fase adulta, vai querer experimentar de tudo. A droga vai junto nesse contexto”, diz a pesquisadora Maria Lucia Formigoni, chefe do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo e Consultora da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).

Em muitos países, inclusive no Brasil, a adolescência compreende a época do início da puberdade e os 18 anos. É nessa idade que muitos jovens escolhem uma profissão, por exemplo. É também quando se recebe uma permissão para uma série de atividades, como dirigir e consumir bebidas alcoólicas.

Maria Lucia afirma que, como o cérebro está em fase de maturação na adolescência, o álcool e as drogas tendem a provocar uma sensação de prazer mais expressiva. Nos casos em que o jovem não tem outras fontes de prazer na vida (como atividades culturais, prática de esportes, convivência saudável com família e amigos) esse efeito é ainda mais determinante para o risco de dependência.

“Nessa fase, o jovem não tem capacidade desenvolvida de avaliação de risco. A parte do controle racional não está plenamente desenvolvida”, esclarece Maria Lucia. A especialista lembra ainda que as estratégias de prevenção devem ser específicas para o jovem. Não adianta, por exemplo, alertá-lo que, se beber em excesso, terá mais risco de desenvolver câncer aos 50 anos.

“Não faz sentido falar de consequências à longo prazo para o jovem. Ele é mais imediatista, está interessado no aqui e agora. É preciso saber o que ele valoriza e o que não valoriza e fazer a prevenção em cima de seus valores”, diz.

Reações Intempestivas

Os riscos relacionados ao álcool nos mais jovens foram apenas um dos elementos avaliados pelos pesquisadores no estudo do The Lancet. Eles também destacam que, antes dos 24 anos, os indivíduos tendem a ter reações mais intempestivas, de modo que “as vitórias e os fracassos afetam a pessoa de maneira mais intensa”.

Os especialistas afirmam que as reações intempestivas nos jovens fazem com que não consigam avaliar as situações “de maneira clara”. Isso ocorre, afirma o artigo, por causa de uma maior atividade na área do cérebro que controla o prazer sentido quando o corpo recebe “recompensas” – entre elas estão a comida, o sexo e inclusive as drogas.

Fonte: Jornal da Tarde – Cebrid.

 

por, LUIZ ANTÔNIO

Beber álcool com moderação já não é recomendado, mas a indústria se defende

Beber álcool com moderação já não é recomendado, mas a indústria se defende

O consumo per capta de bebidas alcoólicas caiu na Austrália após o governo ter aconselhado as pessoas a beber menos em 2009

Durante décadas, produtores de cerveja, vinho e destilados foram ajudados pela noção, embutida em uma série de conselhos nutricionais de governos, de que um pouco de álcool pode gerar modestos benefícios para o coração e a saúde em geral.

Agora, essas recomendações estão mudando rapidamente em face de novas pesquisas que associam o consumo de álcool a possíveis riscos de câncer e que estão levando autoridades de saúde do mundo todo a rever suas posições.

A mudança está pressionando a indústria de bebidas alcóolicas em alguns de seus maiores mercados, incluindo Estados Unidos, Reino Unido e Rússia. E a resposta do setor está se mostrando tão dispendiosa e abrangente quanto a ameaça antevista, incluindo ataques aos defensores de pesquisas desfavoráveis a bebidas alcóolicas e colaborações com governos na formulação de políticas. As empresas de bebidas também estão financiando seus próprios estudos, como um projeto em que quatro firmas vão disponibilizar dezenas de milhões de dólares para custear um estudo rigoroso.

“Não podemos deixá-los ganhar força”, disse Jim McGreevy, presidente do Instituto da Cerveja, grupo que representa o setor nos Estados Unidos, durante uma conferência com executivos de cervejarias realizada em abril, referindo-se aos críticos do álcool.

Em janeiro, o Reino Unido alterou uma recomendação de 20 anos que dizia que beber moderadamente poderia beneficiar o coração, substituindo-a por outra que afirma que os benefícios são menores do que se acreditava antes. O governo britânico também publicou novas orientações informando que o álcool eleva o risco de certos tipos de câncer.

“Não há nível seguro para beber”, disse Sally Davies, a mais alta assessora do governo para políticas de saúde no Reino Unido, a uma rede de TV do país.

Também em janeiro, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA retirou de suas orientações o trecho que afirmava que beber moderadamente poderia reduzir o risco de doenças cardíacas em algumas pessoas. A porta-voz do departamento disse que são necessárias mais análises “para melhor entender as consequências para a saúde que podem ou não estar associadas ao consumo moderado de álcool”.

A ameaça à indústria de bebidas alcoólicas não é tão acentuada como a enfrentada pela de cigarros, cujo consumo caiu devido às rápidas mudanças de atitudes do público e às políticas dos governos, depois que foi determinado que fumar causa câncer de pulmão, doenças cardíacas e outros problemas.

Ainda assim, as recomendações de governos sobre álcool podem fazer a diferença. A cervejaria belgo-brasileira Anheuser-Busch InBev NV, por exemplo, agora inclui em sua declaração de riscos de negócios que a Organização Mundial de Saúde pretende reduzir em 10% o uso nocivo de bebidas alcoólicas.

O consumo per capta de bebidas alcoólicas caiu na Austrália após o governo ter aconselhado as pessoas a beber menos em 2009, recuando de 10,6 litros para 9,7 litros por ano. No Estado americano de Maryland, as vendas de destilados, vinho e cerveja diminuíram depois de um aumento de impostos, em 2011. Na Rússia, as vendas despencaram em mais de 20% num período de alguns anos diante de medidas do governo para reprimir o consumo, depois que um relatório da OMC divulgado em 2010 apontou o álcool como causador de vários problemas de saúde.

O quase consenso que beneficiou o setor até recentemente — de que beber moderadamente podia ser bom para a saúde — remonta a pesquisas feitas 40 anos atrás por um cardiologista da Califórnia chamado Arthur Klatsky, que investigou os efeitos do estilo de vida na saúde cardiovascular. Para sua surpresa, ele concluiu que quem bebia moderadamente tinha menos enfartes que os abstêmios e um risco estatisticamente menor de morrer de doenças coronárias.

Em 1995, o Departamento de Saúde dos EUA introduziu a orientação de que beber moderadamente estava associado com um risco menor de doenças coronárias em algumas pessoas. Agora, novas pesquisas estão subvertendo esse consenso.

Um dos primeiros sinais de mudança veio quando a OMS decidiu criar uma nova política de álcool, há quase dez anos. O foco foi “o fardo global das doenças” e a avaliação de um amplo leque de possíveis efeitos, inclusive indiretos, como taxas de acidentes e infecções.

O relatório da OMS divulgado em 2010 afirmou que “o uso prejudicial de álcool contribui significativamente” para algumas doenças, como diabetes, e sugeriu que os governos taxassem as bebidas para reduzir o consumo. Mais recentemente, autoridades de saúde têm se concentrado em estudos que associam o consumo moderado a um risco maior de certas formas de câncer.

Ao revisar suas orientações, o Reino Unido afirmou que a análise das pesquisas concluiu que “o risco de desenvolver uma série de doenças (como câncer de boca, garganta e mama) aumenta” com qualquer quantidade de bebida alcóolica consumida regularmente.

As novas recomendações do governo britânico não negam os benefícios do álcool para o coração, mas afirmam que eles “são menores e se aplicam a um grupo menor da população do que estimado anteriormente”, possivelmente reduzindo os riscos de morte apenas em mulheres com mais de 55 anos.

A fabricante britânica de destilados Diageo PLC, que está às voltas com um projeto de lei na Irlanda que pode restringir a propaganda de bebidas e estabelecer preços mínimos e alertas nos rótulos, financiou um grupo, o “Pare de beber sem controle”, que defende o consumo moderado de bebidas alcoólicas. O grupo se tornou foco de controvérsia depois que o envolvimento da Diageo foi divulgado. A lei irlandesa continua em discussão.

Na Escócia, a Diageo apoiou uma batalha jurídica liderada pela Associação do Uísque Escocês e por produtores europeus de vinho que querem impedir uma lei que fixa preços mínimos para bebidas alcoólicas. A lei aguarda uma decisão final da Justiça escocesa.

Já a AB InBev lançou, no ano passado, um programa cujo objetivo é abordar as preocupações levantadas pela OMS e reduzir o uso de álcool em 10% em seis cidades no período de dez anos. A AB InBev recentemente lançou a Budweiser sem álcool no Canadá e pretende que, no máximo até 2025, marcas sem ou com baixo teor de álcool respondam por 20% do volume total das bebidas que produz.

A AB InBev e a Diageo estão se unindo às rivais Heineken NV e Pernod Ricard SA na alocação de US$ 55,4 milhões para financiar o primeiro experimento aleatório de avaliação dos efeitos do álcool na saúde. O estudo será supervisionado pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo dos EUA.

 

Por JUSTIN SCHECK e TRIPP MICKLE

(Colaborou Saabira Chaudhuri.)

Acordou de mau humor? A culpa não é apenas da segunda-feira

Acordou de mau humor? A culpa não é apenas da segunda-feira

mau humor

Em alguns casos, o mau humor não é defeito… é já feitio. E à segunda-feira o estado piora.

O primeiro dia da semana de trabalho é apontado por muitos como o principal culpado pela rabugice, mas está longe de ser o único fator a ter em conta, especialmente quando o mau humor (aliado ao mau feitio) é recorrente ao longo da semana.

Segundo o site da revista Self, existem seis razões para uma pessoa estar de mau humor e que nada têm a ver com a segunda-feira. Sim, pode parar de usar a hashtag #hatemondays.

1 – Ingestão de demasiado açúcar.

O fim de semana foi de excessos e não resistiu aos doces? Tem, então, aqui uma possível causa para estar amuado, uma vez que o açúcar exerce um impacto direto no cérebro através da ativação dos campos de recompensa. Quando não se ingere açúcar, o cérebro pede mais, interferindo com o estado de espírito da pessoa.

2 – Ingestão de demasiadas bebidas alcoólicas.

Também o álcool interfere com o humor de uma pessoa e não falamos apenas da ressaca. Diz a publicação que os químicos presentes nestas bebidas têm uma forma de atuar idêntica ao açúcar, fazendo com que o cérebro queira mais.

3 – Noites mal dormidas.

Seja no fim de semana ou ao longo dos últimos dias, a falta de descanso pode ser um dos principais responsáveis pelo mau humor, uma vez que dormir mal tem um impacto direto e nocivo nas hormonas e no cérebro, comprometendo algumas habilidades.

4 – Mente fraca.

Estar mentalmente em baixo, seja por tristeza ou preocupação, é também um fator a ter em conta na hora de avaliar a causa do mau humor e as mudanças de disposição.

5 – Dieta pobre em nutrientes.

Se o excesso de açúcar e álcool são duas causas do mau humor, a alimentação pobre em nutrientes é outro fator a avaliar, uma vez que comer mal e poucas vezes faz com que os níveis de açúcar estejam sempre a oscilar e a atingir picos, o que pode levar a mudanças repentinas de humor.

6 – Passar demasiado tempo com amigos dominadores.

Algumas amizades são tóxicas e têm a capacidade de interferir com o bem-estar das pessoas, seja físico ou emocional.

 

Daniela Costa Teixeira

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