Cientistas identificaram pela primeira vez a área do cérebro no giro frontal responsável pelo ‘efeito placebo’ no alívio da dor, de acordo com um estudo recente do Instituto de Reabilitação de Chicago publicado na revista PLOS. Um placebo é um fármaco, terapia ou procedimento inerte, que apresenta, no entanto, efeitos terapêuticos devido aos efeitos psicológicos da crença do paciente de que ele está a ser tratado.
A localização da zona de ativação do efeito placebo, que é responsável pela eliminação da dor, pode desenvolver um tratamento mais personalizado para milhões de pacientes com dor crônica. A tecnologia de ressonância magnética concebida especialmente para o estudo pode marcar o começo de uma era de terapia de dor individualizada, graças à possibilidade de identificar como o cérebro de uma pessoa responde a uma droga.
“A nova tecnologia vai permitir que os médicos vejam qual parte do cérebro é ativada durante a dor e escolher a medicação específica para esta área”, disse Vania Apkarian, um dos autores do estudo.
Os cientistas dizem que a descoberta “fornece mais dados baseados em evidências sobre a dor. Os médicos podem saber em que medida a área da dor é afetada pelos medicamentos”.
Efeito placebo em medicamentos
Muitos médicos podem atribuir efeito placebo a medicamentos com princípios ativos, mas que apresentam efeitos terapêuticos diferentes do esperado. Por exemplo, um comprimido de vitamina C pode aliviar a dor de cabeça de quem acredite estar ingerindo um analgésico, sendo um exemplo clássico de que o que melhora é não apenas o conteúdo do que ingerimos mas também o acreditar que estamos a ser tratados. Seguindo esta corrente de pensamento, o dicionário médico Hooper cita o placebo como “o nome dado a qualquer medicamento administrado mais para agradar do que beneficiar o paciente”.
Efeito placebo em terapias
Além dos medicamentos, o placebo também pode ser utilizado em terapias diversas e em pesquisas científicas. Um exemplo é a terapia a laser. Nesse caso, o laser é aplicado no paciente no modo desligado, podendo ser associado a um medicamento ou não. Depois, liga-se o laser, com a intenção de identificar se há melhora ou não. A irradiação do laser desligado pode ser considerado um efeito placebo. A utilização desse método em terapias tem sido bastante eficaz para comprovar a efetividade de uma determinada terapia
Ao nível da memória e da capacidade de concentração, por exemplo?
Ao longo da história, o surgimento de uma nova tecnologia suscitou sempre preocupação nas pessoas. O receio do cérebro humano não ser capaz de lidar com o ataque de informação que iria obter com essa nova tecnologia foi proferido pela primeira vez como reação ao surgimento da prensa no século XVI. Troque a “prensa” pela “internet” e fica com as mesmas preocupações hoje, normalmente proferidas pelos principais meios de comunicação e normalmente a pensar nas crianças. Mas será que existe alguma legitimidade nestas afirmações? Ou será que são apenas alarmismos desnecessários? Existem várias coisas a ter em mente quando se considera como os nossos cérebros lidam com a internet.
O cérebro humano está sempre a lidar com uma corrente constante de informação detalhada – é assim que funciona o mundo.
Em primeiro lugar, não se esqueça que a “internet” é um termo vago, tendo em conta que contém tantas coisas em tantos formatos. Por exemplo, desenvolver-se o vício de jogo em casinos online ou sites de poker. Este é um exemplo do cérebro de alguém a ser afetado de uma forma negativa pela internet, contudo é difícil dizer que a internet seja a principal culpada, da mesma forma que não podemos culpar as “entidades” pelo vício de jogo desenvolvido num casino real; tem tudo a ver com o contexto em que este problema ocorre. No entanto, a internet dá-nos um acesso muito mais direto, constante e amplo a informação do que qualquer outra ferramenta na história do ser humano. Assim sendo, como é que nos pode afetar assim tanto ou aos nossos cérebros?
Excesso de informação
É importante lembrar que o cérebro humano está sempre a lidar com uma corrente constante de informação detalhada; no que diz respeito aos nossos sentidos, é assim que funciona o mundo real. Seja a fixar um vídeo a ser reproduzido num pequeno ecrã ou a ver pessoas a jogar num parque, o cérebro e o sistema visual têm de fazer o mesmo trabalho para ambas as atividades, uma vez que ambas fornecem informação sensorial detalhada.
E é mesmo muito detalhada por sinal. O nosso cérebro não consegue processar todas as coisas que os nossos sentidos lhe apresentam; mesmo com toda a sua potência e complexidade, simplesmente não tem capacidade para tal. Por isso, o cérebro filtra e extrapola aquilo que considera importante com base nas experiências, no cálculo e numa espécie de sistema de “melhor palpite”. Por outras palavras, o cérebro já está bem adaptado para evitar o excesso de informação que o possa prejudicar. Assim, é pouco provável que a internet seja capaz de provocar algo assim.
Será que o Google está a destruir a minha memória?
Uma outra preocupação é que o constante acesso à informação existente online esteja a atrofiar ou a perturbar as nossas memórias. Para quê cansarmo-nos a tentar recordar alguma coisa quando podemos simplesmente fazer uma pesquisa no Google, certo?
Não é bem assim que a memória funciona. As experiências que vivemos e que mais tarde acabam por se tornar memórias fazem-no através de processos inconscientes. Por outro lado, coisas que tenham uma ressonância ou significado emocional tendem a ser mais facilmente lembradas do que informação abstrata – que sempre exigiu um esforço maior para ser lembrada a longo prazo, necessitando de um estudo constante para que seja codificada como memória. Não há dúvida de que a internet torna muitas vezes este processo desnecessário. Se isso é ou não prejudicial para o desenvolvimento do cérebro é outra questão a ser ponderada.
Fazer uma coisa repetidamente e tornar-se bom na mesma reflete-se na estrutura do cérebro. Por exemplo, o córtex-motor de um músico experiente, proficiente em movimentos de mãos, é diferente do de um indivíduo que não seja músico. Podia-se dizer que o facto de se estar sempre a dedicar a memória a coisas e atividades em vez de se olhar para essas coisas sempre ou quando necessário poderia melhorar o sistema de memória do cérebro. Por outro lado, algumas provas sugerem que um ambiente mais estimulante e variado ajuda o desenvolvimento do cérebro – por isso, talvez a informação constante e interessante encontrada online seja melhor para si do que trabalhar ou decorar fatos e dados um pouco monótonos.
Em contrapartida, outras provas sugerem que a apresentação detalhada até de páginas web muito simples contém demasiadas características para a pouca capacidade da memória de curto prazo do cérebro humano, podendo causar efeitos retumbantes no sistema da memória. No geral, é um cenário um pouco misto.
Então e a minha capacidade de concentração?
Será que a internet afeta a nossa capacidade para nos concentrarmos em alguma coisa – será que ter acesso a tantas coisas todos os dias pode ser uma distração permanente? O sistema de concentração do ser humano é complicado. Assim, mais uma vez, é um cenário incerto. O nosso sistema de concentração de duas camadas, de cima para baixo e de baixo para cima (o que significa que existe um aspecto consciente que nos permite dirigir a nossa atenção e um aspecto inconsciente que muda a nossa atenção para outra coisa que os nossos sentidos apanham e que pode ser significativa) já é por si algo que pode fazer da concentração a 100% um desafio. É por essa razão que muitas pessoas preferem ter música a tocar quando trabalham: parte do sistema de concentração mantém-se ocupado. De outra forma procuram distrações enquanto tentam terminar alguma coisa importante.
Contudo, a internet proporciona uma distração muito rápida e eficaz. Podemos ficar a olhar para uma coisa agradável numa questão de segundos, o que constitui um problema tendo em conta a quantidade de trabalho do mundo moderno que é realizado no mesmo dispositivo com o qual acedemos à internet. É uma preocupação tão grande que surgiram várias empresas e aplicações para tratar disso.
Mas seria injusto dizer que a internet é responsável pela nossa distração durante o trabalho. O sistema de concentração do cérebro e a sua preferência por novas experiências já existiam muito antes da internet.
Competir por likes
As interações sociais com outras pessoas são um fator importante na forma como nos desenvolvemos, aprendemos e crescemos a nível neurológico. Os seres humanos são uma espécie muito sociável. Agora, a internet veio permitir que as interações e relações sociais ocorram entre um grande número de pessoas e a grandes distâncias, assim como todo o dia, todos os dias.
O que significa que tudo o que fazemos pode ser partilhado com os outros com um simples clique. No entanto, isto tem consequências. Diz-se que os sentimentos positivos obtidos com as aprovações recebidas nas redes sociais têm a mesma base neurológica das drogas: proporcionam bem-estar através do sistema de dopamina. Assim sendo, o vício nas redes sociais está lentamente a tornar-se num problema. Ao criar-se uma situação em que estamos constantemente a tentar impressionar e a ser julgados pelos outros, então talvez a internet não esteja a fazer assim tão bem ao nosso cérebro.
Mas tal como a maioria das coisas aqui apontadas, o verdadeiro problema está nas pessoas e não na internet.
Série de estudos fala sobre riscos à saúde dos jovens.
Para especialistas, cérebro ainda não se formou aos 18 anos.
Se você completou 18 anos e está comemorando a entrada na vida adulta… é melhor esperar mais um pouco. Uma série de estudos médicos publicada pela revista especializada “The Lancet” em abril é categórica: a adolescência dura até pelo menos os 24 anos de idade. É só nessa idade que o desenvolvimento do cérebro é completado. Para a maioria das pessoas, a adolescência é a época que começa com o início da puberdade e dura até os 18 anos. É nessa idade que muitas pessoas também completam os estudos na educação básica e se encaminham para escolher uma profissão. Em muitos países, como o Brasil, a pessoa é considerada adulta e responsável por seus próprios atos aos 18.
Para os médicos, no entanto, 18 ainda é cedo. Antes dos 24 anos, o cérebro não está formado o suficiente para que a pessoa saiba avaliar as situações de uma maneira clara. Segundo os especialistas, nessa idade as reações são mais intempestivas e as vitórias e fracassos afetam a pessoa de maneira mais intensa. Isso ocorre por causa de uma maior atividade na área do cérebro que controla o prazer que sentimos após “recompensas” (como comida, sexo ou mesmo drogas).
A avaliação pode explicar o comportamento de risco de alguns jovens. Segundo dados de pesquisa do Ministério da Saúde, o consumo de bebidas alcoólicas em excesso é maior exatamente nessa faixa etária, dos 18 aos 24 anos. Isso é ruim, principalmente, porque segundo os estudos do “The Lancet”, antes dos 24 anos o cérebro é também mais sensível aos efeitos do álcool, do tabaco e das drogas. Não apenas a pessoa se vicia mais facilmente, mas a perda de neurônios é maior.
Para um dos autores dos estudos publicados na revista, George Patton, da Universidade de Melbourne, na Austrália, os governos precisam de programas específicos para cuidar da saúde dos adolescentes para minimizar esses riscos. “A geração atual de jovens vai escolher caminhos diferentes ao longo da adolescência de gerações passadas e vão encarar novos desafios para sua saúde”, disse ele em artigo.
Um novo estudo mostra que a herança genética materna é mais determinante na hora de definir a inteligência de um ser humano.
Investigadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, detetaram que, apesar de não ser o único fator, a herança genética da mãe é determinante para definir a inteligência de um ser humano.
Segundo o The Independent, isto deve-se ao facto das mulheres terem dois cromossomas X, enquanto que os homens possuem apenas um.
Os cientistas concluíram que alguns dos genes que contribuem para as funções cognitivas avançadas, denominados “genes condicionados”, só se ativam quando vêm da progenitora, uma vez que a versão masculina acaba por se tornar inativa durante o desenvolvimento do bebé.
Para chegar a esta conclusão, a equipa de investigação analisou ratos geneticamente modificados.
Os animais que tiveram uma dose extra de genes maternos desenvolveram um cérebro maior e um corpo mais pequeno do que aqueles em que predominavam os genes paternos.
Por outro lado, as células de origem masculina estavam mais ligadas ao sistema límbico, que regula, por exemplo, as emoções, a fome e a sexualidade.
Há mais para além da genética
No entanto, além da genética – que determina entre 40% a 60% da inteligência -, também é crucial o ambiente em que se cria o menor e o vínculo que este tem com a sua mãe.
De acordo com o jornal britânico, investigadores da Universidade de Washington concluíram que uma forte relação emocional com a progenitora tem um impacto significativo no desenvolvimento de algumas áreas do cérebro.
Deste modo, crianças que têm essas condições possuem um hipocampo maior, a área do cérebro associada à memória, à aprendizagem e à resposta relativamente ao stress.
Claro que isto não significa que os pais não representem um importante papel no crescimento de um filho.
Tal como afirmam os cientistas, há outros genes determinantes como, por exemplo, aqueles ligados à intuição e às emoções, que podem ser herdados dos pais e que também são uma importante chave para o desenvolvimento da inteligência.
Pesquisadores conseguiram esclarecer mecanismos importantes envolvidos na formação da circuitaria cerebral. A equipe também descobriu que o tetraidrocanabinol (THC), substância psicoativa presente na Cannabis, causa rompimento dos circuitos neurais dentro do córtex. Esses resultados explicam por que a Cannabis pode ser prejudicial e ter potencial para ser aplicada na recuperação de danos cerebrais que ocorrem em pessoas com demência.
A atividade neural possui um papel importante na formação dos circuitos neurais. No entanto, ainda não se sabe muito sobre quais atividades neurais estão envolvidas nesse processo de formação. Ele é especialmente complexo em projeções do tálamo para o córtex. Sobre elas, os pesquisadores sabiam apenas que à medida que se desenvolvem, as projeções desnecessárias são eliminadas, e apenas as as corretas permanecem. Um grupo de pesquisadores liderado por Fumitaka Kimura, professor associado do Departamento de Neurociência Molecular da Universidade de Osaka, conseguiu explicar o envolvimento de inúmeros mecanismos na formação desse circuito neural. Os cientistas também publicaram evidências científicas de que o consumo de Cannabis causa cortes desnecessários nas conexões neurais, levando a um colapso desses circuitos.
Nesse estudo, o grupo de pesquisadores descobriu que em uma seção diferente do córtex, a regra que determinava a força sináptica entre neurônios (Pico de plasticidade dependente de tempo, chamado STDP na sigla em inglês) mudava repentinamente em um certo ponto do desenvolvimento. A partir desse achado, o grupo examinou se uma mudança similar no STDP ocorria também na projeção do tálamo e do córtex. Eles descobriram que, inicialmente, as sinapses eram fortalecidas graças à atividade sincronizada dos neurônios sinápticos pré-talâmicos e pós-corticais. Mas depois das projeções terem se espalhado, as atividades sincronizadas enfraqueceram quase todas as sinapses, eliminando assim projeções desnecessárias para habilitar outras mais sistemáticas. À medida que as sinapses eram enfraquecidas, canabinóides endógenos são liberados pelas células neurais através dessas atividades sincronizadas, levando à uma regressão das projeções desnecessárias. Os pesquisadores também confirmaram essa regressão quando o canabinóide era consumido por vias externas.
Essas descobertas podem ter um impacto nas pesquisas que focam no avanço do nosso entendimento sobre mecanismos envolvidos na formação de circuitos neurais e possuem potencial para ajudar no desenvolvimento de novas terapias para melhorar a recuperação do cérebro em casos de demência. Além disso, os achados fornecem dados que comprovam os efeitos adversos do consumo de Cannabis no desenvolvimento do cérebro e, portanto, podem ajudar a diminuir o abuso de maconha.
Developmental Switch in Spike Timing-Dependent Plasticity and Cannabinoid-Dependent Reorganization of the Thalamocortical Projection in the Barrel Cortex
J.-Y. Huang’s current address: Department of Psychological and Brain Sciences, Indiana University, Bloomington, IN 47405-2204.
H.-C. Lu’s current address: Department of Psychological and Brain Sciences, Indiana University, Bloomington, IN 47405-2204.
Author contributions: C.I. and F.K. designed research; C.I., J.-Y.H., M.Y., M.W., H.-C.L., and F.K. performed research; C.I. and F.K. analyzed data; C.I. and F.K. wrote the paper.
The Journal of Neuroscience, 29 June 2016, 36(26): 7039-7054; doi: 10.1523/JNEUROSCI.4280-15.2016
Abstract
The formation and refinement of thalamocortical axons (TCAs) is an activity-dependent process (Katz and Shatz, 1996), but its mechanism and nature of activity are elusive. We studied the role of spike timing-dependent plasticity (STDP) in TCA formation and refinement in mice. At birth (postnatal day 0, P0), TCAs invade the cortical plate, from which layers 4 (L4) and L2/3 differentiate at P3-P4. A portion of TCAs transiently reach toward the pia surface around P2-P4 (Senft and Woolsey, 1991; Rebsam et al., 2002) but are eventually confined below the border between L2/3 and L4. We previously showed that L4-L2/3 synapses exhibit STDP with only potentiation (timing-dependent long-term potentiation [t-LTP]) during synapse formation, then switch to a Hebbian form of STDP. Here we show that TCA-cortical plate synapses exhibit robust t-LTP in neonates, whose magnitude decreased gradually after P4-P5. After L2/3 is differentiated, TCA-L2/3 gradually switched to STDP with only depression (t-LTD) after P7-P8, whereas TCA-L4 lost STDP. t-LTP was dependent on NMDA receptor and PKA, whereas t-LTD was mediated by Type 1 cannabinoid receptors (CB1Rs) probably located at TCA terminals, revealed by global and cortical excitatory cell-specific knock-out of CB1R. Moreover, we found that administration of CB1R agonists, including Δ9-tetrahydrocannabinol, caused substantial retraction of TCAs. Consistent with this, individual thalamocortical axons exuberantly innervated L2/3 at P12 in CB1R knock-outs, indicating that endogenous cannabinoid signaling shapes TCA projection. These results suggest that the developmental switch in STDP and associated appearance of CB1R play important roles in the formation and refinement of TCAs.
SIGNIFICANCE STATEMENT It has been shown that neural activity is required for initial synapse formation of thalamocortical axons with cortical cells, but precisely what sort of activities in presynaptic and postsynaptic cells are required is not yet clear. In addition, how activity is further translated into structural changes is unclear. We show here that the period during which spike timing-dependent long-term potentiation and depression (t-LTP, t-LTD) can be induced closely matches the time course of synapse formation and retraction, respectively, at the thalamocortical synapse. Moreover, administration of cannabinoid agonists, which mimic t-LTD, caused TCA retraction, suggesting that cannabinoids translate physiological changes into morphological consequences.
O modelo psicoterapêutico HBM pode ser uma opção eficaz para tratar pessoas que sofrem de depressão, conclui estudo.
A depressão é considerada, nos países industrializados, um dos problemas mais graves de saúde pública da atualidade, tendo sido classificada como a ‘doença do século’ pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002 e afetando cerca de 350 milhões de pessoas por todo o mundo.
Geralmente tratada com medicamentos que provocam habituação e que entorpecem as pessoas, vários são os especialistas e comunidades científicas que tentam perceber se há outros métodos mais ‘naturais’ de tratar a depressão.
Um estudo português, desenvolvido pela Clínica Mente, avaliou a evolução de 85 pessoas adultas, de ambos os sexos, com diagnóstico de sintomatologia depressiva, oriundos de diversos distritos do país, que fizeram sessões semanais intensivas do modelo terapêutico HBM, com duração de até 2 horas, de acordo com o plano delineado na sessão de avaliação e até os objetivos inicialmente definidos terem sido alcançados.
O modelo HBM – Human Behavior Map Therapy – consiste numa intervenção psicoterapêutica assente no mapa do comportamento humano, que, segundo a Clínica Mente descreve os processos mentais conscientes e inconscientes, permitindo explicar o modo de pensamento e comportamento do ser humano e assim resolver conflitos emocionais, internos e externos, no indivíduo.
Como a clínica informa em comunicado enviado ao Notícias ao Minuto, os resultados obtidos permitiram tirar a conclusão de que é possível curar eficazmente a depressão, especialmente naqueles casos em que o índice depressivo inicial é mais grave, sem recorrer a comprimidos.
Antes da intervenção psicoterapêutica 44,7% da amostra apresentava índices de “depressão grave” e 37,6% “depressão moderada”. Após a intervenção psicoterapêutica com recurso ao modelo HBM, 80% da amostra apresentava-se “não deprimida” e 18,8% apresentava índices de “depressão leve”. Registre-se que para 83,4% da amostra, foram necessárias entre cinco e dez sessões de intervenção terapêutica para ultrapassar o estado depressivo em que se encontravam anteriormente, e recuperar a qualidade de vida e o bem-estar.
Em 2010 uma equipe de pesquisadores do Massachusetts Institute of Techonolgy (MIT) em Boston, colocaram em um universitário de 19 anos, um sensor eletrodérmico no pulso para medir a atividade elétrica do cérebro durante 24 horas, ao longo de sete dias.
Inesperadamente, o experimento revelou que a atividade cerebral do estudante ao frequentar uma aula magna foi a mesma de quando assistindo televisão; praticamente nula. Assim, os cientistas foram capazes de provar que o modelo pedagógico baseado em um estudante como um receptor passivo simplesmente não funciona.
O cérebro precisa estar animado para aprender. José Ramón Gamo. Neuropsicólogo infantil e diretor do Mestrado em Neurodidática da Universidade Rey Juan Carlos
Gamo estuda dificuldades de aprendizagem de pessoas com dislexia ou TDAH há mais de 20 anos observou que na maioria dos casos estes problemas não estiveram relacionados com essas síndromes, mas com metodologia empregada na escola.
Antes só era possível observar o comportamento dos alunos, mas agora graças a aparelhos de neuroimagem podemos ver a atividade cerebral durante a execução de tarefas.
Ele e sua equipe identificou que 50% do tempo das aulas do ensino primário na Espanha são baseados na transmissão de informações aos alunos verbalmente, algo que ocorre no ensino médio 60% do tempo e no nível superior cerca de 80%.
Indagamos sobre o que estava acontecendo na sala de aula e queria saber o que a ciência dizia a esse respeito, se esse método estava justificado.
Com base em pesquisas científicas alheias e em seus próprios estudos, eles concluíram que na aquisição de novas informações o cérebro tende a processar os dados com o hemisfério direito, mais relacionado à intuição, criatividade e imagens.
Nesses casos, o processamento linguístico não é o protagonista, o que significa que a conversa não funciona. Faciais, gestos corporais e contexto desempenham um papel muito importante. Outro sinal da ineficácia da aula magna.
Assim, a neurodidática propõe uma mudança na metodologia de ensino para substituir palestras por meios visuais, tais como mapas conceituais ou vídeos com diferentes apoios informativos tais como gráficos interativos que exigem a participação dos alunos. Outra aposta é o trabalho colaborativo.
O cérebro é um órgão social que aprende fazendo coisas com outras pessoas.
O objetivo principal das empresas, sejam elas grandes ou pequenas, é sempre o mesmo: vender mais e expandir os negócios. Mas, como entender a necessidade do público-alvo e traçar estratégias para que os produtos e serviços oferecidos sejam aceitos mesmo em tempo de crise?
O ideal é que você fuja das técnicas tradicionais para buscar as respostas. O mercado tem mudado e a forma de se posicionar nele também. Estudos comprovam que existem estratégias com contexto científico que podem ser utilizadas para melhorar o posicionamento da marca e ampliar as vendas.
Para aplicar essas novas técnicas, é preciso estudar o comportamento da mente humana e, assim, compreender o que o público busca, o que sente e, principalmente saber como ele reage a algumas ações.
E aqui entra o NeuroBusiness, que une ciência e negócios ao usar os conhecimentos sobre o cérebro, a mente e o comportamento humano. É a aplicação da Neurociência comportamental, que tem como objetivo entender o contato do organismo e os fatores internos – como pensamentos e emoções – ao meio e aos comportamentos visíveis, como fala, reações, sensações e gestos.
Acredite, isso não é novidade. A técnica começou a ser estudada em 2000 e é aplicada, desde então, por empresas de diferentes setores da economia. O motivo ? A forma de vender produtos e serviços mudou nos últimos anos.
Em um futuro bem próximo, segundo especialistas no assunto, os novos negócios não serão baseados no produto ou no consumidor, por exemplo, mas no ser humano. Isso quer dizer que, para ter sucesso em qualquer negócio, é preciso levar em consideração o entendimento sobre o comportamento da mente humana.
O cérebro humano
O nosso cérebro é dividido em três partes: o cerebelo (na nuca), o cérebro (formado pelo telencéfalo e pelo diencéfalo), e o tronco encefálico, que é formado por mesencéfalo, ponte e bulbo.
Essas divisões e subdivisões mostram como cada parte do cérebro funciona e quais delas são responsáveis por cada tipo de ação: racional ou emocional. Entre elas, está o córtex cerebral, responsável por processar todos os sinais que vêm do corpo, e os sinais que estão diretamente relacionados à memória, valores e projeções para o futuro.
Por isso, cientistas e pesquisadores do mundo todo tentam desvendar os mistérios do cérebro humano, além de traçar o mapa do córtex cerebral. Recentemente, uma pesquisa revelou 100 novas regiões distintas em cada hemisfério do cérebro, somando um total de 360 áreas dentro do córtex cerebral.
Para chegar a essa conclusão, os responsáveis pelo estudo treinaram um classificador que reconheceu as características de cada parte do córtex cerebral de 210 jovens e adultos saudáveis através de um programa de Machine Learning.
Embora tenha sido divulgado que a precisão do estudo é de 96,6% , isso não é o suficiente para a ciência. Porém, mostra uma ideia do quanto o nosso cérebro é complexo e merece atenção.
Maioria das decisões é tomada pelo cérebro primitivo
A Neurociência é responsável pelos estudos do comportamento da mente humana para a tomada de decisões. Em entrevista ao portal UOL durante o Fórum de NeuroBusiness em 2014, o espanhol Antônio Mimbrero disse que existem o cérebro médio, que sente, o racional, que pensa, e o primitivo e instintivo, que toma a maioria das decisões.
O foco principal é levar em consideração as características e saber como essa parte primitiva e instintiva funciona para ser aplicada ao NeuroBusiness. Ainda segundo Mimbrero, uma das características é que ele é totalmente egoísta e autocentrado.
“Uma empresa que, ao se comunicar com o consumidor, fala apenas de questões de mercado (ou seja, sobre ela mesma), por exemplo, não consegue atingir essa parte do cérebro. Mas, se ela mostrar que seu produto ou serviço pode deixar aquele consumidor melhor ou mais forte, ele vai se interessar”, disse ao portal.
Como é feito
Agora que você já conhece um pouco como o cérebro humano funciona, é preciso entender que o objetivo principal do NeuroBusiness é ir além das tradicionais pesquisas de mercado. A estratégia é feita por meio de equipamentos que captam os batimentos cardíacos e o arrepio da pele e acompanham o movimento dos olhos. Assim, é possível perceber as reações que não são ditas ou escritas.
Assim, é possível entender a real necessidade do cliente e aplicar esse conhecimento para garantir bons resultados para o seu negócio.
Marketing e ciência
Que marketing e negócios andam lado a lado você já sabe, parte das empresas já entendeu isso e hoje tem ampliado o volume de investimento e criado estratégias de divulgação da empresa voltadas para o negócio. Logo, surge o Neuromarketing, que está relacionado ao NeuroBusiness.
É por meio dele que se estuda uma maneira de divulgar melhor os produtos ou serviços e fazer com que o consumidor ou o público final se identifique com eles. Ele é a aplicação de todo o estudo da ciência do cérebro voltada para o negócio. Temos dicas para você aplicar esse conhecimento ao seu dia a dia:
1 –Imagens
Já ouviu a famosa frase “uma imagem vale mais que mil palavras”?Ela é real. Segundo os estudos, o consumidor tende a se lembrar muito mais de imagens do que de textos.
2 – Conte histórias
Use a estratégia de contar uma história para se comunicar com o mercado. As pessoas identificam-se mais com as histórias do que com informações do produto ou da empresa. Por isso, conte sua história para o seu público. Seja por meio de uma foto exposta ou uma frase simples como “essa empresa é de pai para filho”.
3 – Seja diferente
Apresentar o quão bom o seu produto é já não serve mais. Hoje, o consumidor quer algo que faça sentido para ele, que o faça sentir-se especial. É a parte primitiva do cérebro falando mais alto.
4 – Saber o que o cliente quer faz toda diferença
Esteja atento ao que o seu cliente está expressando na hora da venda, mais de 80% da nossa comunicação é feita por meio de gestos e expressões. Se existe falta de interesse, de entendimento ou até nervosismo, deixe ele mais aberto à sua proposta.
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